Junho - Sol

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O mês de Junho é dedicado ao Sol. Com o bom tempo vem a exposição ao sol e com ele cuidados redobrados. Veja na nosso tema do mês as preocupações a ter com o Sol.

 

 

O SOL

 

Cuidados e prevenção


Introdução


O sol é vital para o desenvolvimento e crescimento dos seres vivos. Permite o bem estar psíquico e a síntese de vitamina D, indispensável ao desenvolvimento ósseo.
 No entanto, tem também uma acção nociva, provocando o envelhecimento cutâneo e o favorecimento do cancro da pele.
O cancro da pele é o tipo de cancro mais frequente nos indivíduos de raça branca (caucasiana).
A protecção solar deve ser iniciada na infância pois estudos demonstram que o uso regular de protector solar nos primeiros 18 anos de vida pode reduzir significativamente o risco de cancro da pele.

A radiação ultravioleta (UV)

A luz solar que atinge a Terra é composta em parte por radiação ultravioleta que se divide por sua vez em três tipos:
    - UVA (320-400nm): possui intensidade constante durante todo o ano e ao longo do dia. Penetra profundamente na pele, sendo o principal responsável pelo fotoenvelhecimento e aparecimento do cancro.
    - UVB (290-320nm): a sua incidência aumenta muito durante o verão, especialmente nos horários entre as 10 e as 16h quando a intensidade dos raios atinge o seu máximo. Os raios UVB atingem superficialmente a pele causando queimaduras solares, o que leva também ao desenvolvimento do cancro da pele.
    - UVC (100-290nm): não atingem a Terra.

A pele e o fototipo

A pele é o maior órgão humano e funciona como um “escudo” protector face às radiações solares. Quanto maior for a espessura da pele e o seu conteúdo em melanina (pigmento naturalmente presente na pele), maior é a protecção.
A classificação de Fitzpatrick caracteriza a pele em seis fototipos diferentes, segundo o bronzeado e a sensibilidade ao eritema.


 

O cancro da pele

A partir da infância, aparecem sinais designados por nevos. Quanto maior o número de queimaduras solares, maior o número de nevos atípicos capazes de dencadear melanoma.
Para além da exposição solar prolongada, existem outros factores de risco de cancro da pele

O corpo humano é naturalmente pigmentado e por isso, é necessário estar atento à modificação ou aparecimento de nevos atípicos e procurar um dermatologista caso se verificar algum dos sintomas que fazem parte da regra ABCDE:

-Assimétrico
    - Bordo irregular
    - Cor heterogénea
    - diâmetro » 5mm
    - Evolução recente

Para além desta regra, há que estar atento aos seguintes sinais de alerta:
1-    Prurido (comichão)
2-    Inflamação (vermelhidão)
3-    Ulceração (ferida)
4-    Hemorragia (sangra facilmente)
Para poder consultar atempadamente um dermatologista, é de todo aconselhado realizar de 2 em 2 meses um auto-exame que consiste numa observação simples do próprio corpo. Deve ter-se em atenção

    - frente e costas
    - braços, antebraços e palmas das mãos
    - pernas e pés (planta e zona entre os dedos)
    - face, pescoço e couro cabeludo
    - nádegas e toda a área genital
    - debaixo dos seios (mulher)


A maioria dos cancros de pele, se forem descobertos atempadamente, podem ter cura em mais de 95% dos casos. O tratamento pode passar pela criocirurgia, laser, terapêutica fotodinâmica ou ainda, em casos mais adiantados e consoante o tipo de melanoma, com cirurgia e/ou radioterapia. Quanto mais finos em termos histológicos for o tumor, mais facilmente é retirado cirurgicamente. Quando o tumor é espesso ( c/ espessura » a 4mm), o risco de metastização é muito superior, sendo necessário recorrer também à imunoterapia e quimioterapia.

    Portanto, o melhor tratamento é a prevenção.

 

Prevenção do cancro da pele.

A prevenção passa sobretudo pela fotoeducação. Seguem-se os 10 mandamentos para uma exposição solar segura (adaptado do Euromelanoma 2008)
1-    Evitar a exposição directa ao sol entre as 12h00 e as 16h00. Este horário é indicativo pois depende da zona geográfica e da época do ano. É preferível ter sempre presente a “regra da sombra” em que as horas de risco maior são aquelas em que a sombra do indivíduo é menor que o seu próprio tamanho;
2-    Expôr-se de forma gradual, nunca devendo ultrapassar as 2 horas;
3-    A melhor protecção é a sombra e o vestuário: usar chapéu com aba larga para proteger orelhas, pescoço, rosto e cabelo e óculos de sol com protecção a 100% contra os raios solares UVA e UVB.
4-    Aplicar um protector solar em quantidade generosa, 30 minutos antes da exposição, repetindo a aplicação de 2 em 2 horas;
5-    A exposição directa dos bebés no primeiro ano de vida é desaconselhada;
6-    Não adormecer ao sol; movimenta-se e molhe-se de vez em quando;
7-    Nos dias nublados e ventosos, tomar as precauções normais de protecção: os raios ultravioletas atravessam facilmente as nuvens e podem provocar um escaldão;
8-    Evitar em absoluto os solários e outras fontes artificiais de radiação UV, pois aceleram o envelhecimento da pele e aumentam o risco de cancro da pele;
9-    Evitar excessos de higiene (exfoliação, peelings,...) ou epilação antes de se expor ao sol: deixam a pele mais sensível;
10-    Beber muitos líquidos (pelo menos 1.5l de água/dia) e comer fruta fresca e legumes: são ricos em sais minerais, carotenos e vitaminas com acção anti-oxidante, que ajudam a pele a defender-se melhor da agressão da radiação solar.

Para além dos hábitos de fotoprotecção, o uso de protectores é essencial na diminuição dos efeitos da radiação solar sobre a pele. Existem dois grandes tipos de protectores:
        - Filtros químicos (ou orgânicos): actuam através da absorção dos raios UV, filtrando sobretudo os UVB e parte dos UVA;
        - Filtros físicos: reflectem e dispersam a radiação incidente, têm cor e formam uma película espessa sobre a pele. São os mais indicados para as crianças e pessoas compeles intolerantes e sensíveis.

O SPF (factor de protecção solar) relaciona o tempo necessário para a pele se queimar (ficar vermelha) sem protecção e o tempo necessário para se queimar quando se usa um produto com protecção solar.

        Ex: uma pele tem tempo máximo de exposição sem protecção=10min
Se aplicarmos um protector com SPF10, esse tempo máximo  passa a ser de 10x10=100min.

As peles mais claras necessitam de protectores com SPF mais altos e as peles mais morenas podem utilizar um SPF mais baixo, mas nunca menos de 30.
No entanto, a aplicação do protector solar nunca poderá justificar exposições prolongadas ou em horários inadequados.
    

Faça do Sol um Grande Amigo para a vida