Agosto - Pernas pesadas e cansadas?

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Com o verão chega o calor e  alguns problemas relacionadas com ele, tais como as "Pernas cansadas". Saiba o porquê e como evitar este problema que afecta tantos porugueses. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pernas pesadas e cansadas?

 

Começam por ser apenas inestéticas, mas podem incomodar e provocar problemas de saúde mais graves. 

As varizes – é delas que escrevemos – assumem as mais diversas formas, apresentando-se mais frequentemente como pequenas veias subcutâneas dilatadas semelhantes a uma árvore com as suas ramificações. São aquilo a que vulgarmente chamamos derrames, mas de facto têm um nome bem mais difícil – telangiectasias. Prolongam-se por dois a quatro milímetros e aparecem sem aviso, localizando-se indiferenciadamente na perna. São acima de tudo inestéticas, já que não provocam qualquer outro problema 

Sentidos principalmente no Verão, os sintomas traduzem-se num peso nas pernas, no inchar dos tornozelos e dos pés (edemas) ou ainda em cãibras nocturnas, dores ou impaciências (necessidade irresistível de cruzar e descruzar as pernas), sensações anormais de calor ou de frio, pés gelados...

O que se passa é que as veias ficam incapacitadas de cumprir o seu papel na circulação sanguínea, ou seja, de levar o sangue de regresso ao coração.
 O sistema circulatório é composto por artérias e por veias, cabendo às primeiras transportar o sangue arterial, enriquecido com oxigénio, do coração para os restantes órgãos, tecidos e células do corpo humano. A tarefa das veias é fazer a circulação sanguínea de retorno, devolvendo ao coração o chamado sangue venoso, para aí ser renovado.
Dada a verticalidade do corpo humano, o sangue arterial chega aos pés pela simples acção da gravidade. Já a “subida” de regresso ao coração é mais difícil, pois é necessário “empurrar” o sangue no sentido dos pés para a cabeça. Este trajecto é conseguido graças a um conjunto de válvulas existentes nas veias e que se abrem apenas para permitir a passagem do sangue no sentido ascendente, impedindo assim o seu refluxo. Quando as veias dilatam, esta função já não é cumprida: o sangue cai, acumulando-se nas pernas. Em consequência, aumenta a pressão sobre as veias superficiais, que dilatam formando as varizes.

 São vários os factores que podem influenciar o sistema venoso:

 

 - Hereditariedade, existe uma predisposição familiar

-Género, as mulheres são mais afectadas do que os homens as alterações hormonais, como as da gravidez e da menopausa, aumentam o risco

- A pílula, mais ou menos doseada em estrogéneos ou progesterona, pode também estar implicada no efeito das pernas pesadas, à excepção das «mini-doses» que, na maior parte dos casos, eliminam este risco. 

- Grande número de profissões, facilmente identificáveis, são «expostas». As que exigem a permanência em pé (pessoal de restauração, cabeleireiras, vendedores...). Aquelas em que se fica sentado quase permanentemente (pessoal de escritório). As que exigem a carga de grandes pesos (mais de 10 quilos). 

- O calor (aquecimento ao sol, longa exposição ao sol, bronzeamento artificial, duches quentes, depilação pela cera, sauna, etc...) provoca uma dilatação dos vasos superficiais e facilita a aparição ou agravamento das varizes e de pequenas varicosidades. 

- Todos os excessos de peso ou de prisão de ventre crónica: provocam hiperpressão abdominal, que vai actuar insidiosamente sobre as pernas. Mais do que de excesso de peso, 60 a 70 por cento das mulheres que são tratadas por insuficiência venosa sofrem na verdade de mau trânsito intestinal. Este exerce igualmente uma elevada pressão sobre as veias dos membros inferiores. 

- O tabaco favorece o envelhecimento das veias, levando, entre outras coisas, ao aparecimento das varizes. 

 

 

Como tratar?

 

A terapêutica medicamentosa disponível é fundamentalmente sintomática e preventiva diminuindo o risco de formação de varizes, a sua evolução e complicações. Uma vez as varizes instaladas, não existe tratamento farmacológico que possa reverter o processo e a sua eliminação só pode realizar-se cirurgicamente.

Por este motivo, a intervenção deve ser precoce, ao nível da insuficiência venosa periférica, com o objectivo de aumentar o retorno venoso, aumentando o tónus vascular, a competência valvular e a acção muscular. Em caso de edema permite diminuir o exsudado e aumentar a sua reabsorção. Em qualquer fase da doença, a terapêutica medicamentosa com venotrópicos e a compressão externa devem ser adoptadas.

Quanto aos venotrópicos, devem seleccionar-se os que, actuam também sobre a microcirculação, eliminando a sintomatologia e evitando as situações de dermatite, eczema venoso e a úlcera de perna. Com estas propriedades estão disponíveis os bioflavonoides (troxerutina, diosmina e hesperidina) que para além de venotrópicos, são considerados também factores de protecção capilar. Como protectores capilares existem ainda os antocianósidos do Vaccinium myrtillus que para além de vasoprotector, tem propriedades diuréticas e adstringentes. O Ginkgo biloba, um flavonóide com propriedades protectoras da parede venosa e das válvulas, pode também ter alguma acção benéfica, estando disponível em diversos suplementos alimentares.

Em doentes com edema e úlceras varicosas pode ser útil o recurso a diuréticos.

Algumas plantas medicinais são usadas na composição de suplementos alimentares, tais como a castanha da índia, centelha asiática e videira vermelha.

Na fase de manutenção, as meias de compressão podem ser usadas. Estas meias são classificadas com base no nível de pressão gerado no tornozelo, que é graduado e diminui gradualmente do tornozelo para o joelho. A pressão no joelho é aproximadamente 70% da pressão no tornozelo. De notar que as meias de compressão, com efeito benéfico sobre a circulação venosa, são feitas de acordo com estas especificações. Não devem ser substituídas pelas meias vulgares que apertam a perna por inteiro sem qualquer efeito terapêutico. A graduação a utilizar depende do grau da evolução da doença e deve ser adequada de acordo com a medida do tornozelo, da barriga da perna, da coxa, e da altura da perna.

As meias de compressão não previnem o desenvolvimento de veias varicosas nem revertem as alterações cutâneas da insuficiência venosa crónica. Contudo são muito úteis na prevenção do edema e dos sintomas de refluxo venoso que podem ocorrer quando o doente está de pé ou sentado durante um período prolongado.

 

 Igualmente importante é a adopção de medidas como a prática de exercício físico, sendo a marcha o exercício de primeira escolha, a perda de peso, quando necessária, e a elevação regular das pernas.

A escleroterapia (secagem) e o laser transcutâneo estão indicados no tratamento das telangiectasias e varizes reticulares (varizes de pequeno calibre) ou em doentes com elevado risco cirúrgico.

Nas varizes mais volumosas ou nas dependentes dos sistemas das safenas interna ou externa, a cirurgia é a única solução. Quando as varizes são detectadas em fase precoce, não havendo alterações na pele das pernas, a cirurgia com laser endovascular pode ser feita com anestesia local, em regime de ambulatório, o que permite um pós-operatório muito rápido e confortável, podendo o doente retomar o trabalho após cerca de cinco dias.

Nos casos mais graves, em que as varizes já estão com varias ramificações, é necessário proceder ao stripping - terapêutica excisional, que requer, normalmente, internamento hospitalar por um curto período de tempo sendo neste caso o pós-operatório mais doloroso e demorado.

 

 

Se não forem tratadas, as pernas pesadas podem ter como consequência:

- Edema (inchaço)

- Derrames – pequenos vasos sanguíneos que se tornam visíveis na perna, na coxa ou no tornozelo

- Varizes (veias dilatadas), que numa percentagem pequena das pessoas, podem ter como complicações a dermatite (lesões avermelhadas que dão comichão) e as úlceras varicosas (de difícil cicatrização)

- Flebites – quando há entupimento das veias (trombose). A flebite é agravada com a imobilização (em que se incluem viagens de avião com duração superiores a 4 horas), obesidade, gravidez, entre outros.

 

 

 

Pela saúde das suas pernas…

 

 Qualquer grávida, com ou sem sintomatologia, com ou sem história familiar deve usar meias de compressão como forma de prevenção, no máximo ao terceiro mês de gestação.

A exposição solar deve ser moderada e, por cada 30 minutos de exposição ao sol, deve fazer-se um banho de mar de pelo menos 10 minutos.

 

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